(Source: whereisthecoool, via micasaessucasa)
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Three countries. One picture.
This is the junction of Iguazú and Paraná rivers, where three countries have their borders: Paraguay, Argentina, and Brazil.
(Source: 5pg, via travellinginspiration)
“Este livro foi interpretado de várias maneiras, inclusive como pornográfico. Vamos falar de pornografia?”
“Joãozinho e Maria foram levados a passear no bosque pelo pai que, de conchavo com a mãe dos meninos, pretendia abandoná-los para serem devorados pelos lobos. Ao serem conduzidos pela floresta, Joãozinho e Maria, que desconfiavam das intenções do pai, iam jogando, dissimuladamente, pedacinhos de pão pelo caminho. As bolinhas de pão serviriam para orientá-los de volta, mas um passarinho comeu tudo e, depois de abandonados, os meninos, perdidos no bosque, acabaram caindo nas garras de uma feiticeira velha. Graças, porém, à astúcia de Joãozinho, ambos afinal conseguiram jogar a velha num tacho de azeite fervendo, matando-a após longa agonia cheia de lancinantes gemidos e súplicas. Depois os meninos voltaram para casa dos pais, com as riquezas que roubaram da casa da velha, e passaram a viver juntos novamente.”
“Mas isso é uma história de fadas.”
“É uma história indecente, desonesta, vergonhosa, obscena, despudorada, suja e sórdida. No entanto está impressa em todas ou quase todas as principais línguas do universo e é tradicionalmente transmitida de pais para filhos como uma história edificante. Essas crianças, ladras, assassinas, com seus pais criminosos, não deviam poder entrar dentro da casa da gente, nem mesmo escondidas dentro de um livro. Essa é uma verdadeira história de sacanagem, no significado popular de sujeira que a palavra tem. E, por isso, pornográfica. Mas quando os defensores da decência acusam alguma coisa de pornográfica é porque ela descreve ou representa funções sexuais ou funções excretoras, com ou sem o uso de nomes vulgares comumente referidos como palavrões. O ser humano, alguém já disse, ainda é afetado por tudo aquilo que o relembra inequivocamente de sua natureza animal. Também já disseram que o homem é o único animal cuja nudez ofende os que estão em sua companhia e o único que em seus atos naturais se esconde dos seus semelhantes.”
“E as palavras são influenciadas por isso?”
“É claro. A metáfora surgiu por isso, para os nossos avós não terem de dizer — foder. Eles dormiam com, faziam o amor (às vezes em francês), praticavam relações, congresso sexual, conjunção carnal, coito, cópula, faziam tudo, só não fodiam. Eu tive um professor de direito tão eufêmico que, quando queria descrever um caso de sedução — que, como você sabe, se caracteriza legalmente pela cópula — falava latim: introductio penis intra vas. Os filólogos e linguistas também são pessoas presas as tabu. Gostaria que algum filólogo, um dia, escrevesse um livro entitulado: Foder. Essas restrições ao chamado nome feio são atribuídas por alguns antropólogos ao tabu ancestral contra o incesto. Os filósofos dizem que o que perturba e alarma o homem não são as coisas em si, mas suas opiniões e fantasias a respeito delas, pois o homem vive num universo simbólico, e linguagem, mito, arte, religião são partes desse universo, são as variadas linhas que tecem a rede entrançada da experiência humana. Em 1884, um neurologista francês, Gilles de la Tourette, descreveu um comportamento anormal em que o paciente grita a todo instante palavras consideradas obscenas. O praguejar é acompanhado de um tique muscular. Esse conjunto de sintomas recebeu o nome de síndrome de la Tourette. Até hoje suas causas não foram adequadamente esclarecidas, tanto que não existe uma cura definitiva. Pensando que talvez a doença seja uma reação contra a rigidez intolerável da ordenação tabuística, um médico americano desenvolveu uma técnica terapêutica que consiste em fazer o paciente repetir as obscenidades o mais alto e o mais rápido possível, até à exaustão. Imagine esta cena, passada no consultório de um psicólogo, idêntica a um trecho da prosa delirante de Burroughs. O paciente tem amarrados no corpo eletrodos ligados a uma máquina cujo funcionamento é sincronizado com um metrônomo. Esse metrônomo controla a velocidade em que os palavrões devem ser gritados — até duzentos por minuto. Você conseguiria gritar duzentos palavrões por minuto?”
“Acho que não”, respondi, enquanto colocava outra fita no cassete.
Processo coracoide no nariz do Bale.
(Source: fassyy, via thegoodfilms)
(Source: micasaessucasa)